sábado, 7 de setembro de 2013

Bolo delicado | Pudim mimoso

Estas receitas foram escolhidas pelos títulos, já que nesta época de tantas manifestações, algumas com violência, achei bom trabalhar com leveza desde o nome. São complementares, o que chamo de receitas consorciadas ou "sustentáveis". Ambas usam ovos, mas gemas e claras em separado. Veja como é fácil combinar e economizar.

Bolo delicado (caderno nº 4 - 1910)

1 xícara (chá) de amido de milho
1 xícara (chá) de manteiga
1 xícara (chá) de leite
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de açúcar
8 claras bem batidas - em neve
1 colher (sopa) de fermento em pó

Bater bem, a partir das claras em neve, acrescentando açúcar, manteiga, leite e as farinhas. Por último colocar o fermento mexendo delicadamente. Assar em forma untada e polvilhada. Forno a 200ºC por aproximadamente 40 minutos. Faça o teste do palito.



 


Massa aerada, boa para trabalhar e boa para  acompanhar o chá.








Pudim mimoso (caderno nº 3, de 1907)

225g de farinha de trigo
450g de açúcar
3 xícaras (chá) de leite
1 colher (chá) de sal
12 gemas
4 claras
Raspas de 1 limão

Bater as claras em neve e juntar as gemas peneiradas (sem pele). Adicionar o leite e, em seguida o açúcar, a farinha e as raspas do limão. Depois de tudo bem batido. colocar em forma untada de manteiga e levar ao forno a aproximadamente 200ºC até que fique com as bordas coradas. Novamente o teste do palito é importante. Fica muito bom.


Como todas as receitas antigas de pudim, esta também é uma massa de corte.  




O grupo de degustação estava tão animado que acabamos esquecendo de fazer as fotos de costume. Fica para a próxima.

sábado, 17 de agosto de 2013

Bolo de limão | Quebra-quebra | Biscoitos de Maizena

Estou atrasada na postagem destas receitas, já experimentadas em julho. Este é o tipo de compromisso que não se pode adiar, mal percebi que as semanas voavam e aqui estou às vésperas de uma nova degustação, apressada para publicar. Com minhas desculpas pelo atraso, lá vão as receitas:

Bolo de limão (vejam se não poderia ser intitulada Bolo Caipirinha!)

Esta receita é pequena. Para ficar de tamanho razoável na forma de 25cm de diâmetro, fiz 1 1/2 receita, que ficou assim:
100g de manteiga
200g de açúcar
250g de farinha de trigo
150g de passas

100ml de aguardente (cachaça)
250ml de leite
3 ovos
2 colheres (sopa) rasas de fermento em pó

1 colher (chá de canela em pó
1 colher (café) de noz moscada

Bater açúcar e manteiga até formar um creme. Juntar os ovos (bati a claras em neve), o leite, a aguardente, a farinha e as especiarias. Por último acrescente as passas e o fermento. Coloque em forma untada e polvilhada e leve ao forno regular (aproximadamente 200º) por cerca de 50 minutos. Faça o teste do palito.

 



Comentário importante: não sobreou migalha para contar esta história. O bolo fica simplestemente
de-li-ci-o-so!







 Quebra-quebra (biscoitos de polvilho)

Misturar e amassar bem:
2 copos de polvilho (usei copo de 250ml)
1 copo de farinha de trigo
1 copo de açúcar
100g de margarinha
1 colher (sopa) de manteiga

Estender com o rolo e cortar em formatos (usei cortadores de biscoitos). Colocar em assadeiras untadas e não deixar corar por baixo para não grudar. Forno quente, aproximadamente 220º. Retire das assadeiras ainda morno, é mais fácil e não quebram.






Misturei primeiro na tigela, depois amassei na base de mármore e deu super certo. Pela presença da farinha de trigo, a massa fica bem elástica, fácil de abrir com o rolo e cortar.
 Biscoitos de Maizena

2 copos de Maizena = 150g
1 copo de farinha de trigo = 80g
1 copo de açúcar = 100g
2 colheres (sopa) de margarina
1 colher (chá) de sal
2 ovos
1 colher (sopa) de fermento em pó

Juntar os ingredientes, amassar bem e cortar no formato que desejar. Colocar em assadeiras untadas para não grudar e retirar do forno antes de corar a base dos biscoitos. Forno quente, aproximadamente 220º. Retirar os biscoitos antes de esfriarem completamente.


Coloquei na mesa os dois tipos de biscoito, lado a lado no mesmo prato

Da esquerda para a direita: Ana Luiza, Heleni, Carlos, Isabel, Junior, Antonia, Adriana e Patrícia
Da esquerda para a direita: eu (Dalva), Marli,       , Heleni, Carlos, Isabel, Junior, Antonia, Adriana e Patrícia





terça-feira, 9 de julho de 2013

Bolo de São João | Sagu na calda de vinho | Suspiros

No mês de junho procurei sintonizar a degustação com a culinária das festas dos três santos. No ano passado fiz Bolo de Santo Antonio com direito à sorte da aliança; desta vez me concentrei em São João e sua festa extrovertida, de rua. Na cultura popular, embora homenageado como João Batista - que teria batizado Jesus nas águas do Rio Jordão -, as festas para São João são diretamente associadas às fogueiras que no Brasil passaram a ser símbolo de compromissos, inclusive matrimoniais, revelando nossa maneira sincrética de ser religioso.

A culinária das festas de junho é voltada aos produtos da terra, como mandioca, milho, amendoim (no nordeste, em virtude do clima peculiar, o milho é plantado no dia de São José - 19 de março, para ser colhido para as festas de São João).

A receita que escolhi é representativa do uso intensivo da mandioca no Estado de São Paulo e de como os conhecimentos de ingredientes como ovos, leite e açúcar, herdados da mulher portuguesa, foram e são intrinsecamente utilizados com a mandioca e o coco.

Bolo de São João - do caderno nº 7, datado de 03/1930

1 quilo de mandioca crua ralada, bem lavada e espremida
12 ovos, sendo 6 sem clara
250g de manteiga (usei margarina)
1 coco ralado
250 a 300g de açúcar (conforme o gosto)

Misturar bem os ingredientes e colocar em assadeira untada com manteiga. Forno a aprox. 250º por cerca de 40 minutos. Faça o teste do palito.





Para melhor incorporar a massa, bati os ovos ligeiramente.








O resultado é um bolo grande, com 30cm de diâmetro e 5cm de altura.













Suspiros - do meu acervo pessoal  (fiz para aproveitar as 6 claras descartadas da receita do bolo - e não sobrou suspiros para contar esta história!)
 
Para 1 xícara (chá) de claras
3 xícaras (chá) de açúcar
1 colher (sopa) de vinagre

Colocar as claras com o açúcar em banho-maria até que o açúcar fique bem dissolvido, totalmente incorporado. Transferir para a batedeira, acrescentar 1 colher de sopa de vinagre e bater por 10 minutos. Se quiser inclua casca de 1 limão ralado ou baunilha.
Colocar em pequenas porções em assadeiras ligeiramente untadas com manteiga, no formo com a menor temperatura possível (geralmente 180 ºC). Se a temperatura for mais alta, mantenha uma fresta na porta do forno com a ajuda de um palito de churrasco ou o cabo de uma colher de pau.




Estes suspiros são à prova de erro. Ficam firmes por fora e por dentro lembram marshmallows.












Sagu na calda vinho tinto - do meu acervo pessoal, tradição familiar

1/2 quilo de sagu (1 pacote)
300 a 500g de açúcar
1 litro de água
1 litro de vinho tinto
Canela em pau
Cravo-da-índia

Manter o sagu de molho em 1 litro de água durante 1 hora. Enquanto isso, colocar o vinho e a água em panela grande, adoçar (a quantidade de açúcar dependerá do tipo de vinho) e temperar com cravo e canela. Colocar para ferver. Provar o açúcar. Quando estiver fervendo, escorrer o sagu da água do molho e juntar. Mexer regularmente para não grudar e cozinhar até que as bolinhas do sagu se tornem transparentes. Despejar em recipiente de louça molhado para esfriar. Se preferir, sirva gelado.


Um brinde com quentão

E Viva são João! Da esquerda para a direita: Dalva, Heleni, Carlos, Hermes e Elem. Ana Tomazoni fez a foto.












sábado, 8 de junho de 2013

Bolo da Baronesa | Roscas à brasileira | Peras ao vinho

Desta vez o cardápio foi completamente isento de glútem. É a vantagem de se trabalhar com as farinhas "antigas", apesar de alguma dificuldade de manipulação pela ausência do glútem de trigo, que dá elasticidade às massas. São doces com gosto simples, que não estamos mais acostumados a sentir.

Bolo da Baronesa   (do caderno nº 3, de 1907)

Tive que adaptar, pois como geralmente acontece, a receita original é muito grande (12 ovos) e a quantidade de farinha (fécula) de batata não é determinada. Mas como se trata de composição comum, do tipo pão-de-ló, ficou assim:

6 ovos
6 colheres (sopa) rasas de açúcar
6 colheres (sopa) cheias de fécula de batata

Bater as claras em espuma, Juntar as gemas uma a uma e, continuando a bater, juntar o açúcar. Bater até clarear bem, depois adicionar a fécula de batata. Colocar em forma untada com manteiga (SÓ MANTEIGA)  e levar ao forno já aquecido até dourar a superfície. Faça o teste do palito para saber se a massa está cozida.




Roscas à brasileira (do cardeno nº 3, de 1907)

Esta receita precisou não apenas de adequação, mas de interpretação, já que as medidas eram em prato, garrafa, quarta, além da gordura de porco. Como a base é farinha de mandioca, é complicado depender de supermercado, onde só se encontra a farinha industrializada que já não contém todo o amido. Eu, felizmente dispunha de farinha comprada no litoral como "farinha da roça", absolutamente integral. As medidas transformei em gramas e precisei de ajuda para encontrar o equivalente de "quarta". Localizei no blog  www.promontoriodamemoria.blogspot.com, de autoria do Professor Vilhena, uma vasta informação sobre medidas antigas, mesmo assim incompleta para a minha pesquisa. De posse do email do professor perguntei a ele sobre a medida "quarta" e minha suspeita se confirmou. Trata-se realmente e uma quarta parte da libra peso arredondada para 500g.

350g de farinha de mandioca integral
350g de polvilho doce
750ml de leite
125g de gordura (usei margarina)
4 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de erva doce
1 colher (chá) de sal
4 ovos

Escaldar a farinha de mandioca com o leite quente, mexer e juntar o polvilho, a margarina, o açúcar, a erva-doce e o sal. Colocar os ovos um a um e, se for necessário, mais leite para tornar a massa maleável. Fazer as roscas (fiz bem pequenas) e assar em forno quente. Não precisa untar as formas. Esta receita resultou em 1 quilo de rosquinhas.


Peras ao vinho (da minha memória familiar)

Encontrei no supermercado pequenas peras embaladas em caixa plástica transparente que me lembraram o doce que minha avó fazia com as peras do seu quintal. Estas são mais uniformes na sua aparência, mas aquelas eram colhidas no dia e, em cozimento no caldeirão, exalavam um perfume que jamais esqueci.

1 quilo de peras
1/2 quilo de açúcar
1,5 litro de água
0.5 litro de vinho tinto
canela e cravo-da-india a gosto

Descascar as peras, retirar os caroços e reservar mergulhadas na água com algumas gotas de limão (para não escurecer). Colocar para ferver a água com o açúcar e o vinho. Quando abrir a fervura acrescentar alguns pedacinhos de canela e alguns cravos. Depois de cerca de 20 minutos de fervura, quando o cheiro da calda já revelar a mistura, colocar delicadamente as peras para cozinhar, mantendo-se inteiras.

As peras na água com limão

Calda em fervura

Servi em terrina de porcelana que pertenceu à minha avó

 Desta vez contei com participantes mais jovens. À esquerda Naná e à direita Mel 
(no colo da mãe, Maria Paula). O brinde era de chá de gengibre. Obrigada a todos!







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Geleia de Cambuci

Vou dar uma paradinha para falar de outra geleia que fiz. Trata-se do cambuci, a fruta que deu origem ao nome da região onde moro, em São Paulo. Como tantas frutas brasileiras, esta também chegou ao risco de extinção, mas graças a algumas pessoas iluminadas que se dedicaram à revitalização da planta, um programa municipal foi criado há cinco anos - a Rota Gastronômica do Cambuci - para revitalizar o cultivo e a apreciação desse fruto natural da Mata Atlântica, incentivando e premiando receitas. Essa ação promove não apenas a apreciação pelo paladar, mas também representa geração de renda para várias localidades da região metropolitana de São Paulo por onde a Rota passa entre os meses de abril e setembro de cada ano.

No dia 21 de abril estive em Paranapiacaba, um distrito do município de Santo André, mais conhecida por Vila de Paranapiacaba, de 1860, associada à construção da São Paulo Railway, estrada de ferro que ligaria o interior do Estado de São Paulo ao porto de Santos. O lugar abriga grande parte de um parque ferroviário desativado, que teve a primeira estação férrea do Brasil.

Galpão do antigo mercado, onde se vendiam os frutos e diversos pratos feitos com eles

Aspecto das edificações originais

O Parque Ferroviário, que hoje mantém um único trem expresso de uso turístico
 
 














Comprei os cambucis ao natural, crus porém congelados, que eram vendidos por dúzia. De uma dúzia deles, de vários tamanhos, fiz a geleia com base na receita já utilizada para a flor de hibisco (publicada em 15 de maio de 2013):

1 dúzia de cambucis frescos maduros
600g de açúcar
2 litros de água
1 litro de pectina - entrecasca de 3 laranjas

Como preparar a pectina: retirar a entrecasca das laranjas (a parte branca). Ferver com pouca água durante 5 minutos, repetindo 3 vezes a fervura para tirar o amargor. Depois levar ao liquidificador com pouca água, bater e completar 1 litro.

Em 1 litro de água cozinhar bem os cambucis descascados, depois bater no liquidificador e coar em peneira, resultando 1 litro do suco. Juntar esse suco à pectina e ao açúcar e colocar para ferver até o ponto de geleia. Ponto é quando ao levantar a colher a mistura cai em blocos. Outro indicador do ponto é ver o fundo da panela quando se mexe com a colher. A geleia pronta tem consistência gelatinosa pela ação da pectina e quando atinge o ponto torna-se magicamente vermelha.








Cambucis ainda congelados, parte com casca (mesmo maduros permanecem verdes)

Cambucis descascados




A geleia pronta, de consoistência gelatinosa




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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Bolo de nozes | Ameixas recheadas


Em abril o blog completou 2 anos. Totaliza 30 postagens, em média com 2 receitas cada. Tem 14 seguidores e nesse peíodo teve mais de10.000 visitas. É um resultado considerável e mostra a importância da preservação que me propus fazer.

Para comemorar, fiz duas receitas tradicionalíssimas em ocasiões festivas:

Bolo de nozes - caderno nº 15, década 1960

1 xícara de açúcar
2 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de leite
1/2 xícara de nozes picadas ou trituradas
2 ovos
2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina sem sal
1 colher (sopa) de fermento em pó

Bater as claras em neve. Juntar as gemas. Batendo sempre adicionar o açúcar e a manteiga. Por fim, o leite, a farinha,o fermento e as nozes. Levar ao forno quente (250ºC) em forma. untada e polvilhada com farinha.
Depois de bem frio, cortar e rechear com doce de leite cremoso.
Se preferir, use leite condensado cozido na panela de pressão por 10 minutos, tendo o cuidado de não deixar sobras de papel ou cola do rótulo, que podem entupir a válvula da panela. Importante também é
aguardar que todo vapor saia antes de abrir e retirar a lata.
 




 Misture à massa as nozes bem picadas e coloque na forma para assar.



Para cobrir, use o glacê de chocolate (cru):

2 xícaras de açúcar
5 colheres (sopa) de leite
2 colheres (sopa) de chocolate em pó (usei cacau sem açúcar)
1 colher (chá) de manteiga ou margarina sem sal
1 colher (chá) de maisena

Misture tudo, bata bem e cubra o bolo.               



 


Ameixas recheadas - do livro A Moda da Casa da Amizade - Distrito 454, década 1980

Tambem conhecido em Sao Paulo como Olho de Sogra, usa 
500g de ameixas pretas sem caroços e o

Recheio:
200g de coco ralado (usei natural, ralado na hora)
1 colher (sopa) de manteiga ou margarina sem sal
3 xícaras de acucar
1 xícara de leite
3 gemas